Renato Perim Colistete

Economia, História e História Econômica

Archive for the ‘Educação’ Category

Sobrenomes e desigualdade

Posted by Renato em 11/06/2017

Matéria muito boa no jornal Zero Hora sobre o excelente e sofisticado paper de Leonardo Monastério a respeito das origens históricas dos sobrenomes no Brasil, sua distribuição geográfica e relações com desigualdade salarial e educacional. Muitos achados importantes e ideias para pesquisa.

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Até 11 anos

Posted by Renato em 26/05/2017

Por volta de 1874, apenas 7,1% das crianças em idade escolar (6 a 15 anos) estavam matriculadas em escolas públicas e privadas em toda a Província de São Paulo. Dessas, as meninas somavam apenas 34% do total. Mas além de seu amplo emprego na agricultura, elas já serviam bem para a nova indústria que surgia nos ainda incipientes centros urbanos – como mostra o anúncio recrutando meninas de até 11 anos para uma das novas empresas têxteis que se instalavam na capital de São Paulo, vários anos antes de sua grande expansão industrial (Correio Paulistano, 14/4/1874, p. 4).

 

 

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Iniciativas Locais e Mobilização por Escolas Primárias

Posted by Renato em 08/03/2017

Mais um working paper sobre a história da educação primária na série do Departamento de Economia: Iniciativas Educacionais e Mobilização por Escolas Primárias em São Paulo, 1830-1889. Resumo:

Uma das explicações mais comuns para as deficiências históricas do ensino primário público no Brasil tem sido a presumida indiferença por parte das famílias que não possuíam recursos para matricular seus filhos em escolas privadas. Este artigo aborda essa questão em um período, compreendendo boa parte do Império, em que as condições de acesso às escolas primárias eram especialmente adversas. Pobreza, isolamento, analfabetismo, centralização política e burocracia inibiam as iniciativas locais e criavam poucos incentivos, se algum, para que as famílias se envolvessem com as escolas primárias. O artigo mostra, no entanto, que pais e moradores organizaram-se em diversas regiões da Província de São Paulo e submeteram petições aos seus representantes locais e ao legislativo provincial requerendo a instalação de escolas, desde as primeiras décadas do Império. As câmaras municipais e, na década de 1880, os conselhos de instrução reforçaram a demanda local por ensino primário. Em meio a condições particularmente desfavoráveis, as evidências de mobilização por escolas públicas ganham um significado especial e levantam dúvidas sobre as perspectivas que, nos séculos XIX e XX, rejeitaram a viabilidade do autogoverno local devido à alegada incapacidade do “povo” intervir na esfera pública de forma consequente.

Educational Initiatives and Mobilization for Primary Schools in São Paulo, 1830-1889

Abstract:

One of the most common explanations for the historical deficiencies of public primary education in Brazil has been the alleged indifference of families that lacked the resources to send their children to private schools. This article addresses this issue in a period, comprising most of the Empire, when the conditions for access to primary schools were especially unfavorable. Poverty, isolation, illiteracy, political centralization and bureaucracy inhibited local initiatives and created few incentives, if any, for families to get involved in primary schools. The article shows, however, that parents and residents organized themselves across the province of São Paulo and submitted petitions to their local representatives and the provincial assembly requiring the installation of schools, since the first decades of the Empire. Town councils and, in the 1880s, education councils strengthened local demand for primary education. Under particularly adverse conditions, the evidence of mobilization for public schools gains a special significance and raises doubts about the views that, in the nineteenth and twentieth centuries, rejected the viability of local self-government due to the alleged inability of the “people” to intervene in the public sphere consistently.”

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Pátria iletrada

Posted by Renato em 04/01/2017

Matéria de Rafael Cariello e Tiago Coelho na Piauí sobre minha tese de livre-docência defendida na USP – aqui, com acesso restrito a assinantes, ou na banca de jornal.

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Despesas e Matrículas da Educação Primária

Posted by Renato em 10/09/2016

Novo working paper na série do Departamento de Economia – Contando o Atraso Educacional: Despesas e Matrículas na Educação Primária de São Paulo, 1880-1920. O resumo:

“Este artigo analisa o desempenho educacional de São Paulo em meio às transformações econômicas e sociais do Brasil no final do século XIX e início do século XX. Ainda abaixo da média nacional em 1870, São Paulo alcançou nas décadas seguintes uma das maiores taxas de matrícula e tornou-se um dos líderes da educação primária no Brasil em 1920. O artigo apresenta novas séries de despesas e matrículas que, combinadas com indicadores que medem o esforço fiscal realizado, trazem à luz fatos pouco reconhecidos sobre as escolas primárias de São Paulo entre 1880 e 1920. Primeiro, o acesso ao ensino primário – em São Paulo e no Brasil – continuou extremamente restrito, pouco se diferenciando da situação de atraso em relação aos indicadores internacionais em meados do século XIX. Segundo, o excepcional crescimento das riquezas privadas e das receitas fiscais em São Paulo não foi acompanhado pelos gastos com educação primária. A discrepância entre o ritmo de crescimento das receitas públicas e das despesas com instrução primária levou a um resultado surpreendente: nas primeiras décadas da República em São Paulo, o esforço fiscal destinado à educação primária caiu para a metade do realizado durante os últimos 10 anos do Império.”

Abstract: Counting Educational Backwardness: Primary School Expendintures and Enrollments in São Paulo, 1880-1920.

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Lição

Posted by Renato em 12/02/2016

“Pai, sempre que é fácil, está errado.”

Maria Clara, 11 anos.

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Anonimato

Posted by Renato em 26/10/2014

Direitos fundamentais, mais de cem anos antes da cultura peculiar das “redes sociais”:

“§ 12. Em qualquer assumpto é livre a manifestação do pensamento pela imprensa, ou pela tribuna, sem dependencia de censura, respondendo cada um pelos abusos que commetter, nos casos e pela fórma que a lei determinar. Não é permittido o anonymato.”

Art. 72, Constituição de 1891 (tal qual o §4, Art. 5º da Constituição de 1988).

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O nó do problema

Posted by Renato em 28/09/2014

Alguém apontou o dedo para o problema, nesta e noutras passagens:

“Os únicos debates que ocorrem, e somente nesses momentos de crise, são algo tão infantilizado que não parecem ser dignos do nome. Quem acompanha esses debates com o mínimo de senso crítico tem a impressão de que a USP se tornou uma simples escola. Não é uma universidade, não é um local de pesquisa, não é um local de produção de conhecimento. É simplesmente um lugar que dezenas de milhares de jovens frequentam para ganhar um diploma ao fim de alguns anos.”

O texto completo está aqui.

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Utilitaristas e a universidade

Posted by Renato em 10/09/2014

O que fazer com o domínio obscuro da burocracia, a irresponsabilidade fiscal e o desvio cada vez maior de uma universidade de sua atividade essencial de pesquisa e ensino, como acontece na USP?

“Especialistas” a léguas de distância de sala de aula, pesquisa e atividade acadêmica têm dado todo tipo de resposta à pergunta, inclusive a de que nada está errado, vive-se apenas uma dificuldade temporária, com o que indicam ser ou ter sido beneficiários da própria situação. Mas outra resposta comum é a dos utilitaristas que propõem uma universidade a serviço da “sociedade”, definida como idêntica às encomendas das empresas privadas e dos grupos que controlam os governos (ver aqui, por exemplo).

Como se a USP tivesse chegado a este ponto pelo fato da universidade ter sido perdulária com pesquisa e ensino “desconectados” da sociedade (isto é, o conjunto da população), e não pelo balcão de negócios e o rent-seeking que absorveram boa parte da instituição, justamente o que a maioria desses “especialistas” propõe.

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Ferrovias e instrução popular

Posted by Renato em 06/04/2014

Austrália, Canadá e Brasil por volta de 1870, segundo Tavares Bastos em A Província. Estudo sobre a Descentralisação no Brazil. Rio de Janeiro: B.L. Garnier, 1870, p. 74:

“Apreciai as vantagens incomparáveis da administração independente, das liberdades civis e políticas: com menos da metade de nossa população, o Canadá, essa terra hiperbórea da neve, dos lagos e dos rios gelados, tinha, há quatro anos, um movimento comercial igual ao nosso. As sete colônias da Austrália, a quem aliás dão somente 2.000.000 de habitantes, mais favorecidas pela natureza, mas também muito mais distantes, já faziam em 1866 um comércio duplo do do Brasil, e seus governos já possuíam rendas superiores às nossas, aplicando milhares de contos a estas duas grandes forças modernas, a estrada de ferro e a instrução popular. Pungente paralelo!”

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