Renato Perim Colistete

Economia, História e História Econômica

Archive for abril \25\UTC 2014

Solow sobre Piketty

Posted by Renato em 25/04/2014

Muitos já devem ter lido “Capital in the Twentieth-Century“, do Thomas Piketty, ou estão acompanhando as resenhas do livro, que é um dos assuntos mais quentes nas últimas semanas em jornais e revistas. O Pedro Duarte me mandou esta longa e detalhada resenha publicada pelo Solow na New Republic que achei bastante informativa. A resenha do Solow me pareceu superior à publicada por Paul Krugman na New York Review of Books (ver aqui).

Para aproveitar a viagem, comento uma impressão que tive em relação ao texto do Krugman. A resenha dele me deu aquela sensação que se tem quando se lê um texto que diz que alguém descobriu algo há muito conhecido:

“The result has been a revolution in our understanding of long-term trends in inequality. Before this revolution, most discussions of economic disparity more or less ignored the very rich.”

“In particular, he and a few colleagues (notably Anthony Atkinson at Oxford and Emmanuel Saez at Berkeley) have pioneered statistical techniques that make it possible to track the concentration of income and wealth deep into the past—back to the early twentieth century for America and Britain, and all the way to the late eighteenth century for France.”

“It therefore came as a revelation when Piketty and his colleagues showed that incomes of the now famous “one percent,” and of even narrower groups, are actually the big story in rising inequality. And this discover…”

“What do we know about economic inequality, and about when do we know it? Until the Piketty revolution swept through the field, most of what we knew about income and wealth inequality came from surveys, in which randomly chosen households are asked to fill in a questionnaire, and their answers are tallied up to produce a statistical portrait of the whole.”

Esse tipo de análise da desigualdade, que usa percentis, top percentis e informações de impostos e outras fontes para medir renda e riqueza, é algo corrente nos estudos de história econômica da desigualdade há pelo 50 anos (!), sem contar os trabalhos clássicos de Simon Kuznets (1953, 1955) – adiciono: Piketty, Atkinson e Saez partiram de Kuznets na análise das participações dos grupos de renda, como eles exaustivamente mencionam nos trabalhos antigos, assim como Piketty o faz no livro atual.

Ok, sei que Krugman está falando sobre “economistas”, mas a maioria desses estudos a que me refiro é de economistas também, afinal de contas. E mesmo se não fossem, é justificável desconsiderar que existem? Afinal, qual é o custo de se reconhecer o conhecimento acumulado numa determinada área de pesquisa?

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Ferrovias e instrução popular

Posted by Renato em 06/04/2014

Austrália, Canadá e Brasil por volta de 1870, segundo Tavares Bastos em A Província. Estudo sobre a Descentralisação no Brazil. Rio de Janeiro: B.L. Garnier, 1870, p. 74:

“Apreciai as vantagens incomparáveis da administração independente, das liberdades civis e políticas: com menos da metade de nossa população, o Canadá, essa terra hiperbórea da neve, dos lagos e dos rios gelados, tinha, há quatro anos, um movimento comercial igual ao nosso. As sete colônias da Austrália, a quem aliás dão somente 2.000.000 de habitantes, mais favorecidas pela natureza, mas também muito mais distantes, já faziam em 1866 um comércio duplo do do Brasil, e seus governos já possuíam rendas superiores às nossas, aplicando milhares de contos a estas duas grandes forças modernas, a estrada de ferro e a instrução popular. Pungente paralelo!”

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