Renato Perim Colistete

Economia, História e História Econômica

Archive for outubro \31\UTC 2013

Beagles, ciência e cientistas – Parte 2

Posted by Renato em 31/10/2013

Ver Parte 1 aqui.

II – O que é científico nos testes com animais?

Outra informação distorcida que tem sido difundida diariamente é a de que “todos os medicamentos que usamos hoje foram resultado de testes com animais”. O argumento sofre da mesma inconsistência que os anteriores. Que os animais tenham sido utilizados em testes de drogas bem-sucedidas não implica que eles tenham sido determinantes do sucesso. Como a prática dos testes com animais era e continua sendo convencional, inclusive sendo exigidos para aprovação de drogas da indústria farmacêutica, então sempre haverá testes com animais no histórico dos medicamentos, independentemente do resultado. O argumento incorre em um típico problema de correlação espúria, tão comum nas ciências. Em outras palavras: existe uma relação entre testes com animais e drogas bem-sucedidas lançadas no mercado, mas que não permite deduzir que haja uma relação de causa-feito entre ambos, que os testes com animais determinam o sucesso dos medicamentos. Como é evidente, há um terceiro fator que explica a elevada (no caso, perfeita) correlação entre testes com animais x drogas bem-sucedidas, que é a legislação que determina o emprego de testes com animais para a certificação de qualquer medicamento, quaisquer que sejam seus possíveis resultados (ver mais a respeito adiante). É surpreendente ver cientistas defenderem seus pontos de vista com esse tipo de argumento.

Essa questão relaciona-se a mais um aspecto que foi omitido nas manifestações recentes que consultei dos profissionais dos laboratórios: o de que os testes com animais apresentam reduzida “capacidade de predição” em relação aos organismos humanos. Já houve quem dissesse que a chance dos resultados em animais serem replicados em humanos variaria de 5 a 25% dos casos, dependendo do animal, da droga e da doença. Por exemplo, no caso de estudos na área de oncologia, é frequente o relato de “predictability” em torno de 5% nos experimentos com ratos. Mas o percentual pode ser ainda menor em outros casos, como veremos abaixo. A rigor, esse resultado pouco relevante não expressa sequer uma pequena “capacidade de predição” dos resultados em humanos, mas antes uma simples correlação entre dois fenômenos que podem não ter qualquer vínculo causal.

O grande problema com esses resultados é que a base de uma ciência experimental é a capacidade de predição do modelo ou do teste, que poderia ser extrapolado para outras situações, no caso o organismo humano. Nesta situação, o uso do “modelo animal” nos testes pré-clínicos para a descoberta de novas drogas (anterior à fase clínica de testes com humanos voluntários) é um guia precário em termos estatísticos. A fragilidade ou irrelevância estatística do uso de animais como base para testes de novos medicamentos gera resultados paradoxais. De um lado, há dezenas de drogas que produziram efeitos terapêuticos sobre doenças como câncer e HIV induzidas em animais nos laboratórios, mas tiveram efeito nulo em organismos humanos. Por outro lado, há vários medicamentos importantes cujos testes com animais foram negativos. Ou seja, esses medicamentos teriam sido descartados se dependessem do uso de animais para testes – casos da penicilina e aspirina, por exemplo. Além disso, há numerosos medicamentos que foram aprovados para uso comercial tendo por base os testes pré-clinicos com animais (além da fase clínica com voluntários) e que em seguida se revelaram danosos ou fatais para os seus usuários. Talidomida é o caso clássico (que utilizou 1 espécie de animal nos testes), acompanhado de outros como Eraldim e Suprofen (testes com múltiplos animais). Nenhuma dessas questões bastante conhecidas foi abordada pelos profissionais que vieram a público defender o Instituto Royal. Pelo contrário, esses profissionais têm insistido sempre em afirmar que o sacrifício dos animais é necessário para todas as descobertas da medicina, a começar pelos beagles do Instituto Royal.

As razões do apego aos testes com animais na indústria são múltiplas, inclusive os interesses econômicos. Mas uma das mais importantes é o fato de que esses testes são tomados como default, mesmo quando não são obrigatórios por lei. Uma ilustração do poder de uma combinação que envolve convenções, práticas arraigadas e resistência às evidências pode ser dada por um trabalho acadêmico recente (2013) – ver aqui e aqui. Uso esse exemplo porque os autores são insuspeitos, uma vez que eles não se opõem por princípio aos testes com animais. Na pesquisa, os dois pesquisadores de Stanford e Harvard e sua equipe coletaram por 10 anos um detalhado banco de dados para um estudo (sem uso de animais) sobre as causas de infecções que levam à septicemia em organismos humanos. Ao tentarem publicar seus resultados, enfrentaram a objeção de que os testes não demonstravam que as mesmas respostas genéticas observadas em humanos poderiam ser constatadas em camundongos. Diz um dos coordenadores da pesquisa sobre os pareceristas que “Eles estão tão arraigados em tentar a cura dos camundongos que esqueceram que nós estamos tentando curar humanos.” Daí os pesquisadores partiram para a realização de testes com uma espécie de camundongo (o “modelo animal” básico utilizado na área) prevendo que encontrariam alguma relação estatística. Porém, os resultados foram desapontadores e, para eles, surpreendentes: não houve correlação entre os resultados dos testes com humanos e camundongos, o padrão foi aleatório (correlação de Pearson entre 0.0 e 0.1), o que atribuíram às diferenças genômicas entre camundongos e humanos e, por consequência, à inadequação do teste com o animal que constitui a base das avaliações pré-clínicas para novas drogas, tanto nas áreas de infecção aguda quanto em outras igualmente importantes.

Ao tentarem publicar os seus resultados, os autores do estudo tiveram novas recusas, inclusive na Nature e Science, antes do trabalho ser publicado sob condições especiais em um periódico acadêmico. Segundo os autores, nos pareceres negativos daquelas revistas não houve indicação de “erros científicos”; em vez disso, “a resposta mais comum foi ‘Isto deve estar errado. Eu não sei porque está errado, mas deve estar errado’.” Os autores sugerem que os “modelos animais” ainda possam ser aperfeiçoados, mas apontam que a prioridade deve ser dada a estudos mais complexos das condições humanas em vez de camundongos para a descoberta de medicamentos na sua área de estudo. Um especialista externo à equipe ouvido sobre o caso, também adepto dos testes com animais, declarou que “Esses dados são tão persuasivos e tão robustos que eu acredito que as agências de financiamento irão levar em conta.” Até agora (2013), diz, “para obter financiamento, você tem de propor experimentos utilizando o modelo com camundongos.” Sob tais circunstâncias, não parece coincidência que quase 150 medicamentos para septicemia tenham sido bem-sucedidos até hoje quando testados em animais com septcemia induzida em laboratórios, mas nenhum sequer tenha trazido resultados positivos em humanos.

O que se depreende deste caso é que a premissa de que o default (uso de animais) é estatisticamente relevante é tão forte que ela é autoconclusiva. Eventuais e raros testes que põem em xeque a premissa tendem a ser ignorados ou rejeitados, ainda que usando argumentos puramente – e ironicamente – anticientíficos (“Eu não sei porque está errado, mas isto deve estar errado”). Por sua vez, a indústria farmacêutica, os órgãos reguladores e as agências de financiamento impõem como padrão o teste com animais, indiferentes quanto à sua relevância estatística ou não. O que deveria ser uma atividade guiada por observação das evidências, experimentos cuidadosos e resultados estatísticos, torna-se um processo de tentativa e erro em que se sacrificam animais inutilmente e, além disso, coloca-se em risco os voluntários humanos nas diferentes fases clínicas dos testes, sem mencionar os pacientes após a aprovação do medicamento. Pesquisadores adaptam-se ao padrão tornando os testes convencionais e o reforçam nas agências e entidades – e para o público – repetindo que eles são essenciais, à revelia dos resultados estatísticos, mesmo quando o principal teste é uma simples correlação entre duas variáveis, sujeita à influência de terceiros fatores não incluídos no experimento e a conclusões espúrias.

O artigo sobre septicemia citado acima não foi escolhido a dedo entre outros contrários para corroborar um argumento. Estudos abrangentes de experimentos (“meta-análises” e “revisões sitemáticas”) na área de pesquisa médica têm levantado os problemas derivados da extrapolação para humanos dos testes com animais na produção de medicamentos. Além disso, há outras distorções igualmente sérias nas pesquisas com animais: por exemplo, o uso difundido de amostras pequenas sem o devido cuidado e com resultados viesados, e a forte tendência (muitas vezes induzida pela indústria farmacêutica) de relatar seletivamente apenas os resultados “positivos”, desprezando os testes com resultados que possam retardar ou impedir a aprovação de medicamentos pelos órgãos certificadores.

Seria de esperar, portanto, que os problemas relatados acima levassem os que defendem os testes com animais pelo menos a uma atitude bem mais modesta e cautelosa. A fragilidade de métodos e resultados torna pouco convincente o argumento de que os testes com camundongos, beagles e primatas são o fundamento da ciência moderna ou um requisito inescapável para o avanço científico e até o desenvolvimento nacional, como se tem afirmado. Omitir e distorcer a realidade dos experimentos com animais não é o que se espera de uma parte da comunidade que se diz científica, nem a melhor atitude em favor do desenvolvimento de novas técnicas mais sofisticadas e eficazes, que gerem desenvolvimento tecnológico e bem-estar para o conjunto da sociedade, inclusive os animais e a natureza.

[Continua]

Veja a Parte 3 aqui (em breve).

Parte 1 aqui

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Beagles, ciência e cientistas – Parte 1

Posted by Renato em 29/10/2013

Após o resgate dos beagles em São Roque em 18/10, vários profissionais vinculados a órgãos do governo, instituições de pesquisa, entidades científicas e empresas têm saído a campo para condenar veementemente a ação dos ativistas e a defesa dos direitos dos animais utilizados em laboratórios. Os termos vão de “fora da lei”, “crime”, “atos violentos”, “desinformação irresponsável” a “terroristas”, entre outros ainda piores.

É até compreensível que os envolvidos diretamente nos testes com animais e seus simpatizantes de outras áreas (de matemáticos a jornalistas) ajam desta maneira, por seus vários interesses e crenças envolvidos. Porém, a quase histeria na reação de alguns profissionais não elimina o fato de que uma atividade que envolve a transferência de enormes recursos públicos, questões éticas sérias e resultados que são avaliados sob critérios comuns a outras áreas (estatísticos, econômicos, jurídicos e inclusive morais), deve ser examinada, discutida e eventualmente criticada pelos distintos setores da sociedade, dentro e fora da universidade e dos laboratórios.

Vários desses profissionais não têm escondido uma pouco sutil e perigosa presunção de que a avaliação de suas práticas deve ficar restrita à sua própria comunidade fechada, que circula entre as paredes de laboratórios e nos corredores de empresas privadas, órgãos governamentais e de financiamento público. Não vou relembrar o quanto na história esse tipo de raciocínio entre membros da comunidade científica levou a ações com consequências sociais drásticas (mas se for preciso, podemos tratar do assunto posteriormente). Meu objetivo aqui é outro.

Desde o dia 18/10, diversas pessoas têm observado que muitos textos e declarações têm sacrificado a objetividade, a transparência e a imparcialidade que seriam de esperar de uma comunidade científica. A retórica adotada por vários profissionais (com poucas exceções) tem omitido e distorcido fatos de uma forma reiterada, deliberadamente ou não. Neste e nos posts seguintes, trato dessa retórica e dos argumentos que têm sido apresentados por esses profissionais, tentando contrastá-los com informações e – quando possível – dados encontrados tanto no Brasil quanto no exterior. Infelizmente, há pouquíssimas estatísticas e informações oficiais relacionadas aos experimentos com animais no Brasil, apesar de sua ampla utilização, da importância vital atribuída a eles pelos seus defensores e do volume de recursos públicos envolvidos. Mesmo assim, dada a relevância do assunto, creio que a tentativa vale a pena.

I – A ciência e a anticiência

Um dos casos que mais chamam a atenção é a tentativa de atribuir aos que denunciam os testes com animais uma atitude “contrária à ciência”. Fiz uma busca em vários textos dos defensores da causa dos animais e não encontrei oposição à pesquisa científica, à tecnologia ou ao desenvolvimento tecnológico, muito menos ao “desenvolvimento nacional”. Pelo contrário, em vários lugares defende-se a reorientação dos testes para uma combinação de técnicas in vitro, uso de tecidos, modelos computacionais, microestudos com humanos, estudos populacionais, etc., ou seja, métodos alternativos e sofisticados que vêm sendo discutidos e implementados em vários lugares do mundo. Ao contrário do que dizem os críticos, as pessoas estão bem informadas, mesmo não sendo especialistas em testes com animais. De certo modo, é até irônico ver a acusação de que os defensores da causa animal pregam o “obscurantismo” e que são opostos à ciência e à tecnologia, pois o principal recurso deles na organização e obtenção de informações tem sido exatamente a moderna tecnologia de informação.

O propósito de acusar alguém de ser “contrário à ciência” parece ser o de tentar convencer o público de que os testes com animais são o critério determinante para a definição de “ciência experimental” e “ciência”. O argumento, porém, não é consistente. Caso contrário se um pesquisador ou laboratório se dedicasse apenas a aperfeiçoar e realizar pesquisas e testes com “modelos não animais” – como de fato acontece – seria também classificado como “anticientífico” e “oposto à ciência”, o que seria um despropósito. Por essa lógica, grupos de pesquisadores que estão hoje conduzindo pesquisas sobre asma, septicemia, câncer, Alzheimer, Parkinson e HIV, por exemplo, sem o uso de animais e com métodos experimentais sofisticados, teriam de ser classificados como “obscuros” e “contrários à ciência”.

Um outro argumento parecido é o de tentar fazer crer que a comunidade científica é unânime em relação aos testes com animais e que, portanto, a contenda se divida entre cientistas x não cientistas, sendo os primeiros detentores de conhecimento objetivo e neutro, enquanto o restante seria formado por leigos que deveriam acreditar nos cientistas. Acontece que há cientistas da área de biomédicas e medicina que rejeitam a adequação de testes com animais como base para a pesquisa médica. Esses cientistas são tão cientistas quanto os que defendem os testes com animais como relevantes e necessários. Entre os cientistas céticos quanto aos resultados da utilização dos animais, há tanto os que já realizaram experimentos com animais, quanto outros que trabalham com métodos alternativos. Contudo, em todos os artigos e declarações recentes que consultei dos profissionais da comunidade que estamos analisando, não encontrei um sequer que mencionasse a existência de concepções divergentes sobre o uso de testes com animais e que não há consenso a respeito entre os pesquisadores da área. Seria então de esperar que pelo menos as entidades científicas gerais, que deveriam preservar algum equilíbrio e independência, informassem o público sobre essa ausência de unanimidade, mesmo que preferissem ficar ao lado dos praticantes dos experimentos tradicionais. Mas isso também não ocorreu.

[Continua]

Veja a Parte 2 aqui.

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Carta aberta à SBPC

Posted by Renato em 19/10/2013

Enviada para: Jornal da Ciência, Diretoria da SBPC e Conselheiros.

Prezados(as) Srs(as),

Lamentáveis os argumentos e as intenções subliminares contidos no texto “A comunidade científica brasileira esclarece” divulgado à imprensa e no site do Jornal da Ciência da SBPC em 18/10/2013.

O texto é uma defesa intempestiva, irrefletida e parcial de uma entidade (o Instituto Royal) que está sendo questionada publicamente por suas práticas e procedimentos. Estranhamente para um “esclarecimento” que se intitula da “comunidade científica”, o texto ignora evidências de maus tratos e crueldade que foram registradas nos recintos da entidade e nos animais resgatados, evidências que estão circulando na imprensa e na mídia social. Autodenominados “cientistas” que rejeitam evidências de antemão, para defender uma entidade sob acusação de má conduta citando normas e órgãos burocráticos, levantam a suspeita de incapacidade de defender legitima e publicamente seus argumentos.

Lamentável a arrogância expressa no texto, por exemplo quando afirma que a invasão “revela o desconhecimento por parte de quem praticou tais atos sobre a importância da utilização de animais para o desenvolvimento de novos medicamentos [somente?] e tratamentos para o ser humano.” Por que “desconhecimento”? Presumir que somente “cientistas” (que curiosamente rejeitam evidências a priori) possuem o “conhecimento” das implicações do uso de animais em testes, laboratórios, cursos, etc., é um recurso de retórica primário e propositalmente enganador, pois sabem muito bem eles ou elas que redigiram o texto que os limites de atividades com humanos ou animais estão sujeitos a normas éticas, subjetivas e definidas socialmente, que vão muito além dos interesses específicos de um grupo de “cientistas” ou de instituições e empresas a que servem. Não é por outro motivo que todas essas questões têm sido há tempos debatidas internacionalmente, e não só pelos que se consideram os únicos capazes, habilitados e imediatamente interessados.  Se é assim, todos – não só autodefinidos “cientistas” – podem e devem opinar e se manifestar quanto a esses limites, normas e definições. Ou o ato de discordar de normas técnicas estabelecidas por órgãos burocráticos (supondo que o Instituto Royal seja perfeito na observância de tais regras, e que tais regras sejam o supra-sumo da benignidade, como sustenta passionalmente o texto) é, por dedução, “desconhecimento”? Ou, ainda, quer alguém convencer-nos de que está acima das opiniões de uma sociedade no que diz respeito a normas e regras de suas atividades enquanto “cientistas”, como um Mengele da atualidade?

Seria de esperar que um texto que diz representar uma comunidade científica – mesmo sendo tão ostensivamente dócil com a entidade acusada e, ao mesmo tempo, tão hostil com os ativistas da causa e os animais submetidos a testes – apresentasse uma descrição integral das atividades da entidade que está defendendo, não apenas destacando as alegadas observância estrita de normas burocráticas e excelência científica. Tão relevantes quanto esses aspectos frisados no texto são as condições de operação e a natureza da própria entidade: quais são os recursos privados envolvidos nas pesquisas com animais? O quanto há de recursos públicos (sabe-se que volumosos)? Quais são as relações das pessoas ligadas ao Instituto Royal com universidades, empresas privadas e órgãos governamentais? E para quais tipos de empresas o Instituto trabalha? É realmente verdade o que o texto afirma, que “O Instituto realiza estudos de avaliação de risco e segurança de novos medicamentos”, dando a entender que apenas isso? Ou que, como diz mais adiante, o Instituto realiza estudos para “diferentes tipos de setores produtivos (produtos farmacêuticos, produtos para a saúde, dispositivos médicos, agrotóxicos, produtos químicos e veterinários, aditivos para rações e alimentos, entre outros)”? Apenas esses, de fato? Não incluem empresas de cosméticos, por exemplo, como são acusados? O que serão “entre outros”? Como um “esclarecimento”, o texto da SBPC deveria dar respostas claras a todas essas indagações, pois elas são parte dos motivos da ação organizada em defesa dos animais presos. Pela natureza da entidade que diz representar, o texto deveria primar pela objetividade, transparência e imparcialidade. O fato de que não o tenha feito, e de que tenha preferido ser seletivo nos aspectos destacados, só pode levantar dúvidas e suspeitas sobre o que pode estar oculto ou dissimulado.

Por fim, é lamentável que o texto seja divulgado sem a assinatura da diretoria da SBPC (pode-se presumir que seja dela a autoria do “esclarecimento”?) [mas ver abaixo]. É um texto sem autoria assumida e, como tal, presta-se à especulação: será que foi discutido em reunião urgente da diretoria da SBPC, será que houve consulta às opiniões de conselheiros e regionais? E os sócios, todos pensam – ou a maioria pensa – tal como o que foi veiculado no texto, ao ponto da diretoria ou parte dela se sentir autorizada a defender instantaneamente o Instituto Royal? Será? A estratégia dos autores do “esclarecimento”, contudo, sejam lá quem forem, foi além da omissão dos responsáveis. Talvez o mais reprovável do “esclarecimento” seja a suprema soberba – e suprema tentativa de mistificação – de se autodenominar “a comunidade científica brasileira” – “A comunidade científica gostaria ainda de deixar claro”, diz o texto ao final, assim como o próprio título. Um “esclarecimento” aos autores do texto da SBPC: a ciência utilizada para dominar e dissimular nunca esteve ao lado das boas causas da história.

Obviamente não espero mudanças na posição da diretoria da SBPC, mas não tinha como evitar o protesto.

Att

PS: desde a publicação do “esclarecimento” da “comunidade científica brasileira” no dia 18/10, o texto não continha autoria ou qualquer nome associado a ele, como foi dito acima. Assim ficou por dias, até que hoje (25/10) constatei que curiosamente foi inserido o nome da presidente da SBPC (“Artigo de Helena Nader* para o Jornal da Ciência”, com crédito ao final), mantendo a data original da publicação. Nenhuma observação, porém, foi adicionada explicando que a autoria do texto foi incluída *posteriormente*, depois de protestos, o que não constitui o procedimento correto nestes casos. Mas não é tarde para corrigir o deslize, a menos que a intenção seja reescrever a história, um artifício antigo [adicionado em 9/11]. Poderia aproveitar também a presidente para corrigir a forma um pouco excessiva de se autodenominar “a comunidade científica brasileira”, como ficou no texto. Aguardemos as modificações.

 

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Ajude Beagles

Posted by Renato em 18/10/2013

Aqui ou aqui.

Assine petição aqui.

Pela causa, ver aqui (Capez) e aqui (Trigueiro).

Ajude Beagles!

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