Renato Perim Colistete

Economia, História e História Econômica

Archive for junho \18\UTC 2013

Protestos

Posted by Renato em 18/06/2013

A maior novidade na cena pública das últimas décadas, os protestos que vêm se repetindo aqui em São Paulo – e que ontem (17/6) ganharam uma nova dimensão com a mobilização em várias cidades – trazem perplexidade, dúvida e esperança. O fato das reivindicações serem difusas e “vagas”, como dizem alguns, antes de ser uma deficiência, pode ser a força principal do movimento. Múltiplas agendas, insatisfações diversas, grupos variados vão às ruas após anos e anos de passividade ou ações isoladas e segmentadas. Pelo que converso com alunos e outras pessoas, duas motivações de fundo têm levado à reação surpreendente das ruas.

Primeiro, uma grande insatisfação com a soberba de grupos partidários e políticos de todos os espectros ideológicos que se dizem veículos e intérpretes dos interesses da sociedade e que, em seu nome, dedicam-se a apropriar recursos (públicos) e poder em benefício próprio. A corrupção em todos os níveis e sob diferentes formas, bem como o desperdício generalizado de recursos públicos, têm sido há décadas praticados por elites políticas e econômicas (de novo, de todo o espectro ideológico) como algo natural e que pode ser dissimulado por uma boa retórica progressista ou em nome do “povo”. A crença dessas elites e seus cúmplices, invertendo e modificando o ditado sobre Pompeia, a mulher de Julio César, é que não é preciso ser honesta, basta parecer honesta.

A segunda motivação relaciona-se à anterior. Há uma grande insatisfação com as políticas e serviços públicos que afetam a maioria da população, como educação, saneamento, habitação, saúde e transporte, apesar dos altos níveis de tributação do país, que recaem desproporcionalmente sobre assalariados e consumidores. Com exceção dos grupos altamente privilegiados, todos sofrem em menor ou maior medida com o desastre na qualidade do ensino público primário e da saúde pública, por exemplo. Há uma percepção crescente da relação direta entre apropriação privada de recursos públicos por elites políticas e econômicas, de um lado, e a oferta e qualidade inferiores de serviços públicos, de outro. Essa percepção, se de fato existir, não é pouca coisa. O acompanhamento e o controle dos recursos públicos por mecanismos transparentes e democráticos são um fundamento da democracia moderna, mas obtê-los é algo difícil e complexo. Grupos com acesso privilegiado ao poder político e econômico se empenham em menosprezar, desmoralizar, rejeitar ou burlar formas democráticas e transparentes de controle dos recursos públicos. Para esses grupos privilegiados, é essencial que lhes seja garantido o poder de canalizar subsídios maciços a grupos econômicos, de expandir gastos de custeio e pessoal continuamente, de preservar uma estrutura burocrática clientelista e não meritocrática (Weber jamais!), de alocar recursos públicos para projetos e obras (mesmo que sociais) que gerem altos retornos privados diretos ou indiretos, financeiros ou políticos.

É por motivos como esses que a reação das ruas traz (até agora) um elemento novo e superior ao que tínhamos visto na história recente, por mais aparentemente vagas e desencontradas que sejam as suas demandas.

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Fogel

Posted by Renato em 14/06/2013

Robert Fogel nos deixou há poucos dias atrás. O autor de Railroads and American Economic Growth, Time on the Cross (com Stanley Engerman), Without Consent or Contract, The Escape from Hunger and Premature Death e mais de uma dezena de outros livros é um exemplo daquele tipo especial que parece ter vindo ao mundo para questionar ideias estabelecidas e arriscar novas formas de ver problemas antigos, no caso, na área da história. Ele foi um pioneiro na tentativa de mostrar que técnicas quantitativas podem ser úteis para revelar aspectos ou dimensões da história das sociedades que passam despercebidos em outros modos de investigar e narrar os fatos históricos. Para isso, enfrentou ceticismo e preconceito, ainda comuns hoje em várias partes da academia, como (enormemente) no Brasil.

Apesar de tudo, ele obteve suas vitórias, convenceu reticentes e até ganhou o Nobel com Douglass North por suas contribuições inovadoras. Sua perspectiva de estudo da história econômica é hoje, em parte, amplamente aceita em vários lugares. Digo apenas “em parte” porque um dos elementos principais de sua abordagem era uma extensa e cuidadosa reconstituição de fontes e dados primários, algo que o colocou ao lado dos grandes historiadores de sua época. O uso de técnicas quantitativas tem permitido alguma aceitação da importância do estudo da história em disciplinas tradicionalmente refratárias à, como dizem, “contingência histórica” ou ao “empirismo dos historiadores”, como a economia. Mas a disciplinada e sistemática busca de evidências históricas, bem como sua análise cuidadosa e crítica, características dos trabalhos de Fogel e dos bons historiadores, continuam sendo algo escasso tanto nas ciências sociais em geral quanto na economia em particular. O mais comum é tomar emprestado algum “banco de dados” (se possível disponível na web ou da pesquisa de algum historiador generoso), jogar em um modelo, rodar e com os resultados reivindicar algo grandioso, apesar de trivial e frequentemente repetitivo em relação a trabalhos históricos antigos (que, por pressuposto, não são lidos, por serem “antigos” e “históricos”).

Fogel se foi e deixou outro exemplo para historiadores econômicos e cientistas sociais.

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Luis Bértola na FEA

Posted by Renato em 14/06/2013

Na próxima semana, o Prof. Luis Bértola, da Universidad de la Republica, Montevidéu, ministrará um minicurso para os alunos de pós-graduação e graduação em Economia da FEA-USP. Bértola é um destacado pesquisador da história econômica da América Latina, com importantes trabalhos na área.

O minicurso ocorrerá nos dias 19 e 20 de junho, com o tema “Desenvolvimento e Desigualdade na América Latina” (veja o cartaz). O evento é voltado aos alunos da FEA, mas também é aberto a todos os interessados em história econômica (com vagas limitadas). A promoção é da Pós-Graduação em Economia da FEA/USP e o programa resumido é o seguinte:

Aula 1 – Convergência e Divergência na Economia Mundial com Ênfase na América Latina (19/6, quarta-feira, 14h-16h)

Aula 2 – Desigualdade e Heterogeneidade Estrutural (20/6, quinta-feira, 10h-12h)

Aula 3 – Desenvolvimento Humano e Desigualdade: Uma Perspectiva Comparada (20/6, quinta-feira, 13h45-15h45)

Inscrições na Secretaria de Pós-Graduação em Economia, FEA-USP.

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Leitura atual

Posted by Renato em 11/06/2013

Guerra é Paz, Escravidão é Liberdade, Ignorância é Força

 

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Sobrevivência na universidade

Posted by Renato em 09/06/2013

O Leonardo Monastério acaba de publicar um livro muito interessante para quem está na universidade: “Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado“.

O livro está no formato mobi para Kindle, ou seja, pode ser lido no próprio e-reader da Amazon ou em qualquer smartphone, tablete ou computador (que rode os, ios, android, windows), bastando nesse caso baixar o programa do Kindle para leitura.

Uma ótima indicação para a guerra da universidade.

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