Renato Perim Colistete

Economia, História e História Econômica

Archive for junho \30\UTC 2011

End of Plantation?

Posted by Renato em 30/06/2011

The end of plantation? Coffee and land inequality in early twentieth century São Paulo“. Este é o título do paper que Maria Lucia Lamounier e eu concluímos em maio. Veja aqui.  O resumo:

This paper examines the concentration of land ownership in the leading coffee export region in the early twentieth century, the northeast area of the state of São Paulo, Brazil. Critics of the so-called plantationist perspective have rejected the classic view that large estates shaped colonial and nineteenth century Brazilian economy and society, arguing instead for a major role of small and medium-sized landholdings. We describe the size distribution of landholdings and estimate alternative measures of land concentration based on a detailed agricultural census of the state of São Paulo. We find that, despite variation across municipalities, large farms and latifundia controlled most of the productive resources in northeast São Paulo, resulting in high levels of inequality when compared to those of other agrarian societies in the past. These results contrast with the view of the critics of classic historiography and suggest that the large estate and high concentration of wealth were remarkable features at least in the most important coffee region in Brazil during the early twentieth century.

 

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Gráficos para história econômica comparada

Posted by Renato em 13/06/2011

Já faz algum tempo que o site Google Public Data Explorer faz parte da lista de “Dados” que se encontra na coluna à esquerda desta página. Recentemente, esse recurso do Google foi aperfeiçoado (dica do Newton Maruyama) e agora tornou-se realmente uma ferramenta que pode ser muito útil a pesquisadores, professores, alunos e outros interessados em história econômica comparada.

O site conta atualmente com dados atualizados de várias organizações, inclusive Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e OCDE. E o mais importante é que os recursos para uso e visualização das estatísticas tornaram-se mais dinâmicos e versáteis, além de ser possível inserir os nossos próprios dados no programa.

Vale um exemplo para ilustrar alguns dos recursos disponíveis. Importante: o exercício requer que se esteja logado em uma conta do Google, como a do Gmail. Peguemos, por exemplo, a participação das exportações de bens e serviços no PIB de Brasil e Coreia do Sul, em comparação com a média mundial, com a base de dados do Banco Mundial (é possível ver como a Coreia parte de um percentual relativamente baixo em 1960 e ultrapassa o Brasil em 1970, ampliando cada vez mais a diferença). A escala pode ser definida como linear ou logarítimica (linear, no exemplo). É possível acrescentrar outros países e combinações, México, por exemplo. Note que passando o cursor em algum ponto da linha de um dos países o gráfico mostrará o valor da variável em um ano específico (por exemplo, 9,1% em 1980 no Brasil).

Na barra dos anos, localizada logo abaixo do gráfico, podemos escolher períodos alternativos para comparação (clique em “Show time settings”). Selecionamos, por exemplo, o período clássico da Industrialização Substitutiva de Importações (ISI) até a crise dos juros e do segundo choque do petróleo (ou seja, até 1979). Ou então podemos visualizar separadamente o período da crise do endividamento externo e de alta inflação até o Plano Real (1980-1995). Ou ainda o período do Plano Real até 2009.

Um outro recurso valioso é o de acompanhamento dinâmico das mudanças das variáveis no tempo. Basta selecionar “bubble chart” no canto superior à esquerda. Vamos comparar os mesmos dados de exportação de bens e serviços de Brasil e Coreia do Sul (eixo vertical) com os dados de PIB per capita desses países (eixo horizontal), agora com a escala em log. Verifique se o cursor está no começo do intervalo e clique na seta de início. O gráfico mostra a variação dinâmica no tempo, assinalando Brasil e Coreia em destaque. Clicando no cursor é possível parar a animação e observar as variáveis em um ano específico (passe o cursor na bubble do país para ver os dados anuais).  Se se quiser acompanhar exclusivamente o comportamento das variáveis dos países selecionados, clique em “Show non-selected bubbles”. Ou ainda, se você quiser visualizar a trajetória dos países, clique em “Show trails”. Também é possível alterar as cores dos países por região, nível de renda e várias outras opções (janela superior à direita).

Enfim, mais uma recurso valioso para consulta, pesquisa e uso em sala de aula.

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A Cia Paulista e o atraso

Posted by Renato em 09/06/2011

Em uma passagem por Jundiaí, aproveitei para visitar o Museu Ferroviário da antiga Cia Paulista, uma das empresas surgidas durante a expansão ferroviária da segunda metade do século XIX. Fundada em 1868, a Cia Paulista inaugurou em 11 de março de 1872 a linha de Jundiaí a Campinas, o primeiro trecho do que seria uma vasta malha de linhas e ramais pelo interior de São Paulo (ver Adolpho A. Pinto. Historia da Viação Publica de S. Paulo (Brasil). São Paulo: Typographia e Papelaria de Vanorden & Cia., 1903). A Cia. Paulista foi estatizada em 1961 e em 1971 passou a fazer parte da FEPASA.

O prédio da Cia Paulista em que se encontra o museu hoje foi inaugurado em 1892. Ao estilo das construções inglesas com seus característicos tijolos vermelhos, também encontrados em várias outras estações ferroviárias no interior do estado de São Paulo, o prédio faz parte de um conjunto arquitetônico notável, incluindo outras unidades administrativas e as oficinas da Companhia.

A descaracterização, o abondono e muitas vezes a simples destruição desse patrimônio ferroviário em todo o estado de São Paulo têm sido denunciados por vários pesquisadores que se dedicam a estudar e defender a história das ferrovias (ver por exemplo o site de Ralph Giesbrecht). Mas hoje eu quero lembrar somente dos belos detalhes das construções e máquinas da antiga Cia. Paulista, como se as ferrovias não tivessem sido vítimas da destruição que torna o Brasil provavelmente um dos poucos países do mundo de seu porte a ter sucateado seu patrimônio ferroviário desta maneira e a não utilizar amplamente esse tipo de transporte de passageiros.

Para isso, selecionei algumas fotos tiradas na visita, espalhadas neste post: a frente do prédio onde  se encontra o museu, a placa de inauguração do prédio em Jundiaí,  uma vista parcial da frente do conjunto arquitetônico e um panaroma (tentando cortar uma parte que é melhor esquecer – carros alegóricos de carnaval) do galpão das oficinas.

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