Renato Perim Colistete

Economia, História e História Econômica

Archive for agosto \28\UTC 2010

Arquivo do NYT

Posted by Renato em 28/08/2010

Mais uma fonte digital importante para os historiadores: o arquivo do jornal “New York Times”. Os artigos com acesso gratuito estão disponíveis entre 1851 e 1922.  A busca é feita na seção “Article Archive: 1851-1980 (Page Image Format- PDF)” (clique aqui para ver), mas é necessário selecionar o período 1851-1922 que está acessível: clique em “advanced” na página indicada acima e escolha, no campo de busca, algum intervalo de tempo desejado para a pesquisa (sempre entre os anos 1851 e 1922).

Um exemplo: a pesquisa com “Brazil” entre 1/1/1889 e 31/12/1889 resulta nesta lista de artigos.  Exemplo de matéria interessante é este (clique no pdf para a matéria completa): “Facts about Brazil; how governed for seventy years and how slavery was abolished”. Ou então este, de 1908, sobre o programa de valorização do café.

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Amostragem

Posted by Renato em 20/08/2010

Ao contrário do que muita gente pensa, os historiadores econômicos não enfrentam frequentemente o problema da chamada “falta de dados”. Com um pouco de engenhosidade e bastante trabalho de pesquisa, é quase sempre possível obter dados e fontes até sobre os temas mais complicados, ainda que para isso seja necessário mergulhar em diferentes arquivos em busca das informações. Às vezes, o problema pode ser até que o volume dos dados seja tão grande que torne difícil a conclusão de um projeto de pesquisa em, digamos, 3 ou 4 anos. Nesses casos, dependendo do tipo de informação com que se esteja lidando, é vantajoso recorrer à amostragem estatística para tornar um projeto viável.

Veja o exemplo hipotético de uma pesquisa com fichas de funcionários de uma empresa com milhares de empregados ao longo de dezenas de anos. Se cada ficha possuir várias informações sobre cada funcionário, talvez seja impossível que algum pesquisador, individualmente, disponha de tempo e recursos para armazenar milhares de fichas de funcionários em um banco de dados. Nesse caso, o pesquisador pode ter uma economia substancial de tempo e recursos se puder extrair uma amostra representativa das fichas do arquivo.

A abordagem mais comum é definir uma amostra aleatória, ou seja, uma que garanta que cada ficha possua a mesma chance de ser selecionada. A teoria de amostragem aleatória não é simples, e é necessário consultar inicialmente um bom livro de estatística. Tendo uma introdução ao tema, os historiadores podem adotar uma abordagem prática para o problema.

É preciso, em primeiro lugar, selecionar o tamanho da amostra de uma população finita, que é o caso do exemplo das fichas dos funcionários. Há fórmulas para isso, mas os historiadores podem utilizar programas on-line que calculem o tamanho da amostra de acordo com os critérios estatísticos estabelecidos quanto ao erro amostral. Um bom exemplo é o Raosoft Sample Size Calculator. Preenchendo a margem de erro e o intervalo de confiança desejados, além do tamanho da população que está sendo pesquisada (fichas, no caso), obtém-se o tamanho da amostra que será utilizada na pesquisa. Assim, por exemplo, se existirem 500 fichas relativas a um determinado ano, com uma margem de erro de 5% e intervalo de confiança de 95% a amostra a ser extraída será de 218 fichas.

Em segundo lugar, após a definição do tamanho da amostra, é preciso decidir como selecionar as fichas que farão parte da amostra aleatória. O primeiro passo é numerá-las de alguma forma, idealmente pela ordem da classificação original que eventualmente seja encontrada no arquivo. Se não houver tal classificação, será preciso numerar as fichas segundo algum critério, por exemplo na ordem alfabética dos funcionários. Depois disso, deve-se usar uma tabela de números aleatórios (encontrada em livros de estatística) para a escolha das fichas. Ou então, o que é bem mais prático, utilizar um programa online. Uma das melhores opções é o Research Randomizer. O programa é bem versátil e os campos a serem preenchidos são auto-explicativos. Basta definir a quantidade de números por conjunto (igual ao tamanho da amostra, 218 no exemplo acima), o intervalo da população (500, no exemplo) e que os números sejam selecionados apenas uma vez, gerando a série de números aleatórios correspondentes às fichas que devem ser escolhidas. Os (218) números selecionados no exercício com o exemplo anterior são reproduzidos abaixo (note que cada rodada selecionará números diferentes).  O resultado pode ser impresso ou transferido para uma planilha do excel, o que é muito conveniente para quem estiver trabalhando em arquivo.

Set #1:

396, 313, 213, 57, 466, 224, 192, 301, 50, 457, 123, 58, 60, 66, 357, 103, 463, 413, 28, 244, 242, 267, 386, 265, 488, 382, 125, 328, 324, 400, 106, 422, 320, 116, 12, 61, 268, 291, 451, 258, 101, 403, 388, 394, 132, 307, 419, 208, 100, 358, 19, 228, 74, 392, 408, 80, 207, 179, 282, 127, 349, 34, 186, 214, 47, 171, 135, 371, 2, 75, 97, 163, 474, 365, 248, 141, 327, 465, 24, 409, 351, 473, 174, 206, 225, 366, 122, 218, 184, 322, 415, 223, 38, 161, 111, 99, 165, 459, 3, 140, 405, 368, 52, 383, 96, 7, 144, 414, 121, 169, 283, 255, 448, 240, 180, 162, 253, 418, 152, 211, 151, 454, 182, 138, 166, 35, 137, 326, 288, 339, 292, 204, 20, 421, 231, 332, 210, 286, 285, 104, 159, 181, 395, 337, 183, 375, 77, 331, 233, 438, 107, 273, 495, 78, 84, 439, 498, 360, 429, 203, 334, 294, 496, 227, 91, 147, 356, 287, 13, 63, 425, 260, 345, 314, 330, 406, 164, 354, 83, 308, 155, 79, 450, 45, 391, 216, 194, 142, 212, 264, 173, 472, 88, 364, 126, 139, 4, 302, 222, 402, 11, 410, 98, 86, 23, 199, 338, 167, 22, 491, 187, 369, 90, 209, 298, 94, 469, 27

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Sangbaul

Posted by Renato em 17/08/2010

“Sangbaul”: era assim que “São Paulo” era escrito por muitos colonos suiços e alemães das colônias de parceria nos envelopes de suas cartas enviadas à Europa para seus parentes e amigos, em meados do século XIX. Foi o que constatou o naturalista e diplomata suiço, J.J. von Tschudi, em suas visitas ao interior de São Paulo para conhecer de perto as condições vividas nas fazendas de café pelos súditos suiços que haviam sido contratados como parceiros desde 1847.

Muitas cartas eram enviadas com o remetente indicando apenas os nomes do colono e da fazenda, seguidos de “Sangbaul – Brasilien”. Quando as cartas eram respondidas, os funcionários postais em Santos e no Rio tinham a difícil tarefa de tentar localizar o destinatário em alguma fazenda de um lugar chamado Sangbaul – “Como poderia o funcionário postal descobrir que Sangbau[l] era São Paulo?”, perguntava von Tschudi (Viagem às Províncias do Rio de Janeiro e S. Paulo. São Paulo, Martins, 1953, p. 156 – publicado originalmente em 1866).

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Obras de Rui Barbosa

Posted by Renato em 08/08/2010

A suprema maravilha tecnológica para os pesquisadores é quando alguma instituição tem a generosa iniciativa de digitalizar parte de seu acervo, tornando-o disponível para consulta ampla e democrática do público leigo e profissional. Já registrei aqui algumas iniciativas louváveis desse tipo e outras estão compiladas à esquerda desta página do blog, em “Fontes Digitais”.  Este é um serviço de utilidade pública em favor da democratização do acesso ao conhecimento.

Um exemplo é o projeto da Fundação Casa de Rui Barbosa com o Supremo Tribunal Federal, que publicou on-line as obras completas de Rui Barbosa – nada menos que 137 volumes, com milhares de páginas. A consulta é simples e eficaz, clique aqui para ver.

Alguém interessado pode encontrar, por exemplo, no volume X, Tomo I, do ano de 1883, o trabalho “Reforma do Ensino Primário e Várias Instituições Complementares da Instrução Pública” – na verdade, um parecer sobre um decreto de 1879 do gabinete do Visconde de Sinimbu que reformava o ensino primário na Corte. Rui Barbosa era o relator da Comissão de Instrução Pública do Parlamento e foi encarregado de estudar o decreto, emitindo o referido parecer. O atraso crônico da educação primária no Brasil já era reconhecido há tempos e, com o parecer de Rui Barbosa, adicionou-se mais um diagnóstico do atraso educacional frente a praticamente todas as nações do mundo na época.

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