Renato Perim Colistete

Economia, História e História Econômica

Archive for novembro \19\UTC 2009

História da agricultura

Posted by Renato em 19/11/2009

Após a boa notícia da coleção integral e digitalizada da Conjuntura Econômica, vale registrar um outro periódico cuja coleção completa está disponível para consulta e que é igualmente importante para os pesquisadores em história econômica: a Revista de Economia Agrícola, publicada a partir de 1951 pela Secretaria da Agricultura e posteriormente pelo Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo.

Com 9 números em 1951 e periodicidade mensal a partir de 1952, a Revista de Economia Agrícola trazia em cada edição informações sobre mercados e preços dos produtos agrícolas, análises e previsões de safras e vários estudos específicos sobre atividades agropecuárias, inclusive trabalhos de conteúdo histórico.

Um exemplo dos estudos avulsos é a série de artigos sobre o “reerguimento das fazendas de café”, publicados em 1951. Esses estudos avaliaram alguns programas de reestruturação de fazendas da zona velha do café (Vale do Paraíba paulista), com informações sobre medidas tomadas, produtividade e custos (ver aqui um exemplo). Em algumas ocasiões, os textos chegam a trazer informações detalhadas sobre a estrutura de receitas e despesas da fazenda, como no caso de uma propriedade situada em Caçapava.

Há diversos outros estudos setoriais úteis para aqueles interessados em estudar as condições de produção, da tecnologia e da produtividade na agricultura de São Paulo. Um exemplo encontra-se em um texto sobre a “rentabilidade da lavoura do café a diferentes níveis de produtividade na safra 1962/63“. Outro, com séries de tempo, trata do “rendimento do algodão beneficiado em São Paulo de 1930 a 1962“.

Há também estudos sobre os trabalhadores na agricultura, como um que resume os dados de um levantamento oficial sobre a mão-de-obra agrícola em 1955.  Nesse texto, são estimados o número e a distribuição de proprietários e de diferentes categorias de não-proprietários (ver a tabela original no artigo citado). Detalhe interessante: colonos, arrendatários e parceiros constituíam 52,2% e os propriamente assalariados (camaradas) representavam 6,2% do total de proprietários e não-proprietários. Considerando apenas o segmento de não-proprietários, os colonos, arrendatários e parceiros chegavam a 70,5%.

A propósito, essa não parece ser uma distribuição de trabalhadores agrícolas muito diferente daquela retratada no Oeste Paulista do século XIX por Warren Dean, em Rio Claro. Um sistema brasileiro de grande lavoura, 1820-1920. São Paulo, Paz e Terra, 1977.

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Jeffrey Williamson sobre educação e desigualdade

Posted by Renato em 03/11/2009

Durante seu período como professor visitante na FEA em outubro, Jeffrey Williamson deu aulas, seminários e conversou com muitos professores e alunos, de graduação e pós.  Além disso, Williamson deu uma entrevista à Época, que acabou de ser divulgada – veja aqui. A entevista ficou muito interessante. Alguns trechos:

“O que distingue a América Latina de seus competidores da América do Norte e da Europa é que estes locais viveram uma revolução com o surgimento do Estado de bem-estar social e com a queda abrupta da desigualdade social nos anos 40, 50 e 60.”

“[A educação como meio de reduzir a desigualdade] [é] fundamental, especialmente a longo prazo, em um período de duas, três gerações. Se a educação for correta, ela capacita jovens para migrar, ir para as cidades, procurar empregos melhores. Eles podem melhorar suas habilidades e ganhar melhores salários, em vez de serem excluídos do mercado por serem analfabetos. Mas apenas manter as crianças na escola não é suficiente. Por acaso estamos mandando os melhores professores para dar aulas às crianças mais pobres? Acho que não. Como você muda isso? É muito difícil.”

“Os grandes exemplos [de grande redução da desigualdade] foram os que ocorreram entre as décadas de 1920 e 1950 na América do Norte, na Europa e na Austrália. Foram mudanças muito profundas de distribuição de renda, implementadas por sistemas progressivos de impostos, intervenção pública na educação para torná-la acessível. Todos esses dispositivos que hoje muitos desprezam foram introduzidos em um determinado período de tempo na primeira metade do século 20 e tiveram um resultado espetacular. Não ocorreu da noite para o dia, levou três décadas. E as taxas de crescimento eram espetaculares, então parece que esse tipo de prática não afeta o crescimento, pelo contrário.”

A entrevista completa encontra-se aqui.

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