Renato Perim Colistete

Economia, História e História Econômica

Archive for setembro \26\UTC 2009

Biblioteca digital

Posted by Renato em 26/09/2009

Foi lançada recentemente uma nova ferramenta para a busca de livros digitalizados pelo projeto conjunto do Google e de bibliotecas universitárias: a Hathi Trust Digital Library. Milhares de obras de bibliotecas nos EUA têm sido digitalizadas e publicadas no Google Books para consulta pública. A proposta da Hathi Digital Library é tornar-se uma depositária alternativa e confiável das obras digitalizadas de 13 bibliotecas (e outras no futuro), independentemente das contingências que possam afetar a empresa Google. Em termos práticos, a Hathi Digital Library também oferece uma inferface mais funcional e amigável do que o sistema disponível no Google Books, com buscas por autor, título, ISBN, assunto, editora e data de publicação.

A limitação, idêntica à existente no Google Books, é que somente uma parte (bem menor, infelizmente) das obras que estão sendo digitalizadas pode ser acessada de forma integral, devido aos direitos autorais.  O sistema da Hathi Digital Library possui um recurso prático para filtragem das obras disponíveis com “Full-text” e “Search-only (no full-text)”, além de outros critérios como assunto, língua, local e data da publicação e formato original (livro, revista, conferência, etc.). Nos testes que fiz, porém, várias publicações que aparecem classificadas como “full-text” são, na verdade, “search-only”, um erro que, imagino, será corrigido com a consolidação do projeto.

Mesmo com as limitações existentes, a biblioteca digital possui inúmeras preciosidades para os historiadores econômicos que são de difícil acesso no Brasil.  Apenas alguns exemplos: a tradução “A History of Brazil” (1939) de João Pandiá Calógeras; o estudo “Brazil: a study of economic conditions since 1913” (1920), de Arthur Redfield, pelo War Trade Board do Departamento de Comércio dos EUA; o Relatório da Missão Abbink (1949) (no original em inglês) e a transcrição de uma audiência no Congresso americano sobre o “impacto do ‘milagre econômico’ sobre os índígenas da Amazônia“(1978) (um dos depoimentos sendo o de Peter Evans).

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Conjuntura Econômica digitalizada

Posted by Renato em 15/09/2009

Mais uma excelente notícia para os historiadores econômicos em matéria de fontes digitalizadas – ver também aqui e aqui. A dica é do Michel Marson, aluno do doutorado em Economia da FEA. Desta vez, a revista Conjuntura Econômica abre toda a sua coleção à consulta dos pesquisadores, desde o vol. 1, no. 1 de novembro de 1947 até 2008. Essa é uma fonte essencial para os interessados em recuperar a evolução da economia brasileira no pós-guerra. Além do acompanhamento da conjuntura, os volumes da revista trazem valiosos estudos específicos sobre diferentes temas, relacionados a câmbio, indústria, agricultura, transporte, entre outros.

A página e os recursos são bem apresentados e amigáveis. As revistas estão organizadas por anos e volumes/números, sendo possível selecionar uma edição específica e consultá-la por completo ou então utilizar o mecanismo de busca com palavra-chave. Nos testes que fiz, o sistema é eficiente na localização das palavras e rápido na apresentação dos resultados.

A iniciativa, louvável, é do IBRE/FGV, com apoio financeiro dos setores privado e governamental. Para acessar, clique aqui.

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Sérgio Milliet e o estilo acadêmico

Posted by Renato em 10/09/2009

Eu costumo dizer aos meus orientandos que devemos sempre buscar clareza, simplicidade e precisão ao redigir um texto acadêmico, seja em Economia, História ou outra área de Humanas. Expressar premissas, argumentos e resultados da maneira mais clara e precisa possível é essencial em qualquer trabalho acadêmico, inclusive para que ele possa ser devidamente julgado e criticado pelos pares naquilo que é relevante, ou seja, o conteúdo das ideias nele contidas. Obviamente, essa não é uma opinião consensual, pois há ainda uma noção muito forte no Brasil (principalmente na História e em outras ciências humanas) de que o bom texto acadêmico deve ser prolixo, obscuro e impreciso, de preferência com muitos jargões e frases de efeito.

Há muitos anos atrás, Sérgio Milliet tratou indiretamente desse assunto em um prefácio ao livro de Alcântara Machado, Vida e Morte do Bandeirante (1929). Milliet é polêmico e chega a ser duro com o estilo barroco. Comentando o estilo de Alcântara Machado, Milliet diz: “Estilo e linguagem que se podem rotular de clássicos pelo funcionalismo da expressão, pela simplicidade da imagem e o pudor da eloqüência. E pelas mesmas razões anti-românticas, antibarrocas, modernos integralmente. Ao contrário dos que imaginam escrever bem porque imitam a sintaxe quinhentista e enchem sua literatura de arcaísmos, Alcântara Machado despe a dêle de toda indumentária inútil. Sabe ser de seu tempo evitando os ornatos ridículos, indo direito ao que tem a dizer, criando sua maneira pessoal dentro do espírito de sua civilização. Antepõe-se assim como um mestre do método certo aos donos da farmacopéia literária que jogam com receitas por não terem o que dizer.” (p. 16, edição de 1965)

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