Renato Perim Colistete

Economia, História e História Econômica

Archive for maio \31\UTC 2009

História econômica do desflorestamento

Posted by Renato em 31/05/2009

Em 1997, Warren Dean publicou sua terceira obra clássica sobre o Brasil: With broadax and firebrand. The destruction of the Brazilian Atlantic Forest. Los Angeles: University of California Press (em português, A ferro e fogo:  a história e a devastação da Mata Atlântica brasileira. São Paulo: Cia das Letras, 1997). A exemplo de dois livros anteriores (A industrialização de São Paulo: 1880-1945. São Paulo: Difel, 1971 [ed. original de 1969] e Rio Claro : um sistema brasileiro de grande lavoura, 1820-1920. São Paulo: Paz e Terra, 1977 [ed. original de 1976]), A ferro e fogo tornou-se um marco na historiografia brasileira e latinoamericana. Nesse livro, Warren Dean abordou a destruição da Mata Atlântica no contexto da expansão demográfica, agrícola, urbana e industrial que acompanhou a formação do Brasil moderno.  A ferro e fogo é uma obra pioneira da história ambiental da América Latina, assim como é também uma nova contribuição de Dean à historiografia econômica. Nela se encontra uma refinada análise das conexões entre, de um lado, os interesses econômicos de empresas, políticos, indivíduos e sociedade em geral, e, de outro, o desastre ambiental resultante do crescimento econômico acelerado no Brasil.  A alta tolerância da sociedade em relação à devastação ambiental, combinada com a ausência de restrições legais à busca de interesses econômicos a qualquer custo em detrimento da mata nativa, foram, segundo Dean, decisivas para o desastre ecológico que representou a destruição da Mata Atlântica.

Para quem pensa que esse é apenas um fato remoto e irreversível, pode presenciar a mesma lógica hoje em outras florestas brasileiras, e possivelmente os mesmos resultados no futuro. O jornal The Guardian e o Greenpeace mostram o que está acontecendo na Amazônia com a expansão da pecuária de exportação, que conecta os mercados europeus e a devastação acelerada da floresta. Fotos e vídeo expõem o ciclo, que fazem lembrar A ferro e fogo.

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Go-oo

Posted by Renato em 25/05/2009

Até recentemente eu usava o BrOffice como o meu pacote favorito para editor de texto, apresentação e planilha eletrônica.  O BrOffice é a versão brasileira do OpenOffice,  um grupo de programas de código aberto e gratuitos que substitui o Office da Microsoft e que é mantido pela Sun Microsystems. Mas conheci o Go-oo, projeto independente desenvolvido a partir do código do OpenOffice.  O Go-oo é leve,  visualmente agradável e mais aberto no desenvolvimento do código base, além de possuir outras funcionalidades.  É mais uma ótima alternativa aos adeptos do open source.

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Congresso de História Econômica

Posted by Renato em 22/05/2009

Já foi dada a partida para o Segundo Congresso Latinoamericano de História Econômica, que será realizado na Cidade do México, de 3 a 5 de fevereiro de 2010.  Informações no site oficial do evento.

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Educação, Plano de Metas e desenvolvimentismo

Posted by Renato em 15/05/2009

Educação no Plano de Metas do governo JK, segundo Lucas Lopes (Presidente do BNDE, Ministro da Fazenda e secretário-executivo do Conselho do Desenvolvimento, responsável pela coordenação do Plano):

“Essa meta não existiu nem nos primeiros momentos, mas na véspera da
divulgação do plano, Clóvis Salgado, que era muito amigo nosso, amigo do
Juscelino, e havia sido escolhido Ministro da Educação, insistiu: ‘Não
é possível que não haja uma meta de educação!’ Nós respondemos:  ‘Então, Clóvis, escreva a meta de educação, porque estamos esgotados’. Não sabíamos o que fazer com a meta de educação, não tínhamos preparo para isso. E ele fez um trabalho literário, escreveu dois volumes de literatura.”

(Lucas Lopes, Memórias do desenvolvimento, Rio de Janeiro: Centro da Memória da Eletricidade no Brasil, 1991, p. 201).

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Mac Hardy

Posted by Renato em 14/05/2009

Guilherme Mac Hardy foi um mecânico escocês que chegou ao Brasil em 1872 para trabalhar na companhia Lidgerwood, de Campinas. Em 1875,  fundou sua própria empresa, a Companhia Mac Hardy, começando a produzir máquinas de beneficiamento de café, ferramentas e utensílios de ferro, e, anos mais tarde, motores e caldeiras (segundo o Centro de Memória da Unicamp).  A Mac Hardy possuía seções de fundição, mecânica e carpintaria, empregando 320 operários em 1900. Os poucos trabalhos que fazem referência à empresa são unânimes em afirmar que suas máquinas de beneficiamento de café eram comumente encontradas nas grandes fazendas (ao lado das produzidas por outras empresas, como a Lidgerwood e Arens, também de Campinas).  Francisco Ferreira Ramos, em seu livro Industries and electricity in the state of São Paulo (S. Paulo Vanorden & Co., 1904), p. 7-8, é um exemplo.  Na verdade, essas empresas e outras localizadas em Campinas são apenas as mais conhecidas, pois parece que o número de produtores (além dos importadores) foi bem grande e diversificado geograficamente, a julgar pela lista reproduzida por Ema Camillo em Modernização agrícola e máquinas de beneficiamento : um estudo da Lidgerwood MFG. Co. Ltd., de 1850 a 1890 (Diss. de mestrado, IG-Unicamp, 2003), p. 104. As informações sobre a maior parte dessas empresas são raras ou desconhecidas (até agora). Quem foram os mecânicos, operários e aprendizes, estrangeiros e brasileiros, que tocaram esses empreendimentos que requeriam sofisticado conhecimento técnico na época? Quantas e quais fazendas empregaram tais equipamentos (Ferreira Ramos cita 75 fazendas, conf. ibid., p. 7)?

Em um passeio recente em Amparo/SP com a família, tive uma surpresa quando chegamos em uma antiga fazenda de café da cidade.  Vimos uma peça de madeira, parte perdida de uma máquina de beneficiamento, e um sino, ambos produzidos pela Mac Hardy. Com o celular, tiramos fotos (estarão aqui em breve). Não ficaram boas, mas dá para ver o nome da empresa nas peças.  Resquícios da indústria de bens de capital surgida em pleno século XIX, no meio do crescimento da agricultura.

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É Campeão!!!

Posted by Renato em 03/05/2009

Flamengo Campeão!!!

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