Renato Perim Colistete

Economia, História e História Econômica

Jeffrey Williamson sobre educação e desigualdade

Publicado por Renato em 03/11/2009

Durante seu período como professor visitante na FEA em outubro, Jeffrey Williamson deu aulas, seminários e conversou com muitos professores e alunos, de graduação e pós.  Além disso, Williamson deu uma entrevista à Época, que acabou de ser divulgada – veja aqui. A entevista ficou muito interessante. Alguns trechos:

“O que distingue a América Latina de seus competidores da América do Norte e da Europa é que estes locais viveram uma revolução com o surgimento do Estado de bem-estar social e com a queda abrupta da desigualdade social nos anos 40, 50 e 60.”

“[A educação como meio de reduzir a desigualdade] [é] fundamental, especialmente a longo prazo, em um período de duas, três gerações. Se a educação for correta, ela capacita jovens para migrar, ir para as cidades, procurar empregos melhores. Eles podem melhorar suas habilidades e ganhar melhores salários, em vez de serem excluídos do mercado por serem analfabetos. Mas apenas manter as crianças na escola não é suficiente. Por acaso estamos mandando os melhores professores para dar aulas às crianças mais pobres? Acho que não. Como você muda isso? É muito difícil.”

“Os grandes exemplos [de grande redução da desigualdade] foram os que ocorreram entre as décadas de 1920 e 1950 na América do Norte, na Europa e na Austrália. Foram mudanças muito profundas de distribuição de renda, implementadas por sistemas progressivos de impostos, intervenção pública na educação para torná-la acessível. Todos esses dispositivos que hoje muitos desprezam foram introduzidos em um determinado período de tempo na primeira metade do século 20 e tiveram um resultado espetacular. Não ocorreu da noite para o dia, levou três décadas. E as taxas de crescimento eram espetaculares, então parece que esse tipo de prática não afeta o crescimento, pelo contrário.”

A entrevista completa encontra-se aqui.

Enviado em Desigualdade, Educação, Eventos, História Econômica | Deixar um comentário »

Estude História Econômica!

Publicado por Renato em 24/10/2009

Perguntado sobre o que diria a alguém começando a estudar Economia, Paul Samuelson não hesitou:  “tenha muito respeito ao estudo de história econômica”.  A recomendação foi feita em uma entrevista ao Atlantic Magazine em junho de 2009 (dica do Leo Monastério). Leia a pergunta e a resposta completa abaixo e a entrevista na íntegra aqui.

Very last thing. What would you say to someone starting graduate study in economics? Where do you think the big developments in modern macro are going to be, or in the micro foundations of modern macro? Where does it go from here and how does the current crisis change it?

Well, I’d say, and this is probably a change from what I would have said when I was younger: Have a very healthy respect for the study of economic history, because that’s the raw material out of which any of your conjectures or testings will come. And I think the recent period has illustrated that. (…)
But history doesn’t tell its own story. You’ve got to bring to it all the statistical testings that are possible.

Enviado em História Econômica | Deixar um comentário »

Jeffrey Williamson na FEA

Publicado por Renato em 06/10/2009

Depois de William Summerhill e Colin Lewis, agora é a vez do Prof. Jeffrey Williamson nos visitar na FEA. Jeffrey Williamson é professor do Departamento de Economia da Universidade de Harvard e dará um minicurso no dias 20, 21 e 23 de outubro. O tema é “Growth, Inequality and Globalization in Historical Perspective”. O evento é imperdível para todos os interessados em história econômica.

A promoção é do Departamento de Economia e da Pós-Graduação em Economia da FEA/USP. O horário é sempre às 11h30, no FEA 1, sala A3.

O cartaz do evento pode ser visto aqui e o programa de leituras aqui.

Enviado em Eventos, História Econômica | 2 Comentários »

Biblioteca digital

Publicado por Renato em 26/09/2009

Foi lançada recentemente uma nova ferramenta para a busca de livros digitalizados pelo projeto conjunto do Google e de bibliotecas universitárias: a Hathi Trust Digital Library. Milhares de obras de bibliotecas nos EUA têm sido digitalizadas e publicadas no Google Books para consulta pública. A proposta da Hathi Digital Library é tornar-se uma depositária alternativa e confiável das obras digitalizadas de 13 bibliotecas (e outras no futuro), independentemente das contingências que possam afetar a empresa Google. Em termos práticos, a Hathi Digital Library também oferece uma inferface mais funcional e amigável do que o sistema disponível no Google Books, com buscas por autor, título, ISBN, assunto, editora e data de publicação.

A limitação, idêntica à existente no Google Books, é que somente uma parte (bem menor, infelizmente) das obras que estão sendo digitalizadas pode ser acessada de forma integral, devido aos direitos autorais.  O sistema da Hathi Digital Library possui um recurso prático para filtragem das obras disponíveis com “Full-text” e “Search-only (no full-text)”, além de outros critérios como assunto, língua, local e data da publicação e formato original (livro, revista, conferência, etc.). Nos testes que fiz, porém, várias publicações que aparecem classificadas como “full-text” são, na verdade, “search-only”, um erro que, imagino, será corrigido com a consolidação do projeto.

Mesmo com as limitações existentes, a biblioteca digital possui inúmeras preciosidades para os historiadores econômicos que são de difícil acesso no Brasil.  Apenas alguns exemplos: a tradução “A History of Brazil” (1939) de João Pandiá Calógeras; o estudo “Brazil: a study of economic conditions since 1913” (1920), de Arthur Redfield, pelo War Trade Board do Departamento de Comércio dos EUA; o Relatório da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos (1949), por Johh Abbink (no original em inglês) e a transcrição de uma audiência no Congresso americano sobre o “impacto do ‘milagre econômico’ sobre os índígenas da Amazônia“(1978) (um dos depoimentos sendo o de Peter Evans).

Enviado em Fontes, História Econômica | Deixar um comentário »

Conjuntura Econômica digitalizada

Publicado por Renato em 15/09/2009

Mais uma excelente notícia para os historiadores econômicos em matéria de fontes digitalizadas – ver também aqui e aqui. A dica é do Michel Marson, aluno do doutorado em Economia da FEA. Desta vez, a revista Conjuntura Econômica abre toda a sua coleção à consulta dos pesquisadores, desde o vol. 1, no. 1 de novembro de 1947 até 2008. Essa é uma fonte essencial para os interessados em recuperar a evolução da economia brasileira no pós-guerra. Além do acompanhamento da conjuntura, os volumes da revista trazem valiosos estudos específicos sobre diferentes temas, relacionados a câmbio, indústria, agricultura, transporte, entre outros.

A página e os recursos são bem apresentados e amigáveis. As revistas estão organizadas por anos e volumes/números, sendo possível selecionar uma edição específica e consultá-la por completo ou então utilizar o mecanismo de busca com palavra-chave. Nos testes que fiz, o sistema é eficiente na localização das palavras e rápido na apresentação dos resultados.

A iniciativa, louvável, é do IBRE/FGV, com apoio financeiro dos setores privado e governamental. Para acessar, clique aqui.

Enviado em Fontes | Deixar um comentário »

Sérgio Milliet e o estilo acadêmico

Publicado por Renato em 10/09/2009

Eu costumo dizer aos meus orientandos que devemos sempre buscar clareza, simplicidade e precisão ao redigir um texto acadêmico, seja em Economia, História ou outra área de Humanas. Expressar premissas, argumentos e resultados da maneira mais clara e precisa possível é essencial em qualquer trabalho acadêmico, inclusive para que ele possa ser devidamente julgado e criticado pelos pares naquilo que é relevante, ou seja, o conteúdo das ideias nele contidas. Obviamente, essa não é uma opinião consensual, pois há ainda uma noção muito forte no Brasil (principalmente na História e em outras ciências humanas) de que o bom texto acadêmico deve ser prolixo, obscuro e impreciso, de preferência com muitos jargões e frases de efeito.

Há muitos anos atrás, Sérgio Milliet tratou indiretamente desse assunto em um prefácio ao livro de Alcântara Machado, Vida e Morte do Bandeirante (1929). Milliet é polêmico e chega a ser duro com o estilo barroco. Comentando o estilo de Alcântara Machado, Milliet diz: “Estilo e linguagem que se podem rotular de clássicos pelo funcionalismo da expressão, pela simplicidade da imagem e o pudor da eloqüência. E pelas mesmas razões anti-românticas, antibarrocas, modernos integralmente. Ao contrário dos que imaginam escrever bem porque imitam a sintaxe quinhentista e enchem sua literatura de arcaísmos, Alcântara Machado despe a dêle de toda indumentária inútil. Sabe ser de seu tempo evitando os ornatos ridículos, indo direito ao que tem a dizer, criando sua maneira pessoal dentro do espírito de sua civilização. Antepõe-se assim como um mestre do método certo aos donos da farmacopéia literária que jogam com receitas por não terem o que dizer.” (p. 16, edição de 1965)

Enviado em História Econômica, Universidade | 3 Comentários »

Colin Lewis na FEA

Publicado por Renato em 21/08/2009

O Prof. Colin Lewis, do Departamento de História Econômica da London School of Economics, estará em breve na FEA como Professor Visitante e oferecerá um minicurso com o título “Latin American Development in Historical Perspective”. A promoção é do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Economia da FEA/USP, com apoio do CNPq. O curso ocorrerá nos dias 31 de agosto e 1 a 3 de setembro, sempre às 11h30, no FEA 1, sala A3. O cartaz do evento pode ser visto aqui. Veja também aqui as leituras indicadas para as aulas. Imperdível!

Enviado em Eventos, História Econômica | 2 Comentários »

Sobre o trabalho

Publicado por Renato em 04/08/2009

Por Maria Clara, minha filha, 5 anos:

“Pai, por que os pais só trabalham e os avós só brincam?” (4/8/2009).

Enviado em História Econômica | 3 Comentários »

2a Guerra Mundial

Publicado por Renato em 14/07/2009

Chegou às bancas recentemente o primeiro número da revista “Histórica!” sobre a 2a Guerra Mundial, com o qual colaborei com uma breve entrevista (“A arma secreta de Hitler”). Voltada a um público amplo e editada pela jornalista Melanie Retz, a revista é de excelente nível, trazendo informações sobre vários aspectos da Guerra, mas com uma ênfase maior sobre a tragédia do III Reich. Além da produção gráfica apurada, com ótimas ilustrações, a publicação traz entrevistas inéditas com personagens que viveram a Guerra. A que mais me impressionou foi a de Nanette Konig (“Eu sobrevivi a Bergen-Belsen”), que estudou com Anne Frank na Holanda, reencontrou-a no campo de concentração de Bergen-Belsen e, ao contrário de Anne, milagrosamente conseguiu sobreviver.  Enfim, uma ótima referência para os interessados em história contemporânea.

Enviado em História Econômica, Universidade | 4 Comentários »

Caldas Aulete

Publicado por Renato em 29/06/2009

Para quem está envolvido em pesquisa histórica, um problema recorrente são os termos fora de uso e estranhos ao vernáculo atual. Ou então palavras que ganharam sentidos diferentes ao longo do tempo. Uma alternativa interessante e acessível é o iDicionário Caldas Aulete, com o tradicional dicionário Caldas Aulete, iniciado no século XIX em Portugal e ampliado em sucessivas etapas e edições ao longo do século XX. A primeira edição brasileira foi publicada em 1958. Desde outubro de 2008 há uma versão beta disponível, com consulta direta na internet.  O curioso é que o projeto foi financiado por várias entidades públicas (Ministério da Cultura, Eletrobrás, governos do Rio de Janeiro e Minas Gerais) e três empresas privadas, aparentemente por meio da Lei Rouanet. Mas isso não impede que as empresas responsáveis pela iniciativa exibam muitas propagandas incômodas nas páginas de busca e resultados.  Com exceção desse ponto negativo, o projeto é útil e relevante.

Enviado em Fontes | 1 Comentário »